Aprofundando o Uso de Perícias
by Ataualpa Pereira on 04/03/09 at 7:55 pm
Saudações!
Antes de tudo, parabéns aos Mestres pelo GM’s Day, um movimento que rola lá fora homenageando os mestres e narradores de RPG. Ainda devagar, o Dado Mestre começa a dar seus primeiros passos, hoje com um post sobre perícias.
Raramente me utilizei de cenários prontos para os jogos de D&D. Desde sempre projetei meus jogos em cenário próprio, cujos logradouros inéditos de certa forma criavam um clima de mistério e curiosidade. O motivo? É muito mais interessante descobrir o que há em Sharn ou Waterdeep sem ter debulhado, respectivamente, os livros de Eberron e Forgotten Realms. A idéia, por mais óbvia que pareça, é que um grupo de personagens (e jogadores) consiga interagir com o mundo através do que é interessante para eles: as aventuras.
Mas nem sempre um mestre consegue conciliar a mecânica com os cenários, tão pouco fazer os jogadores saírem do tão famigerado metajogo. Mas ao optar por cenários próprios, os mestres gozam de certa liberdade criativa, já que não precisam se preocupar em destruir um conhecimento prévio dos jogadores. Porque, convenhamos, é muito chato contradizê-los, mesmo que indiretamente. Eu sou daqueles que quando adota um cenário, seguirá ele à risca, do contrário não há sentido em tê-lo como pano de fundo das histórias.
Agora vejamos, não é mistério para ninguém que as perícias do D&D 3.5 ficaram subutilizadas no jogo. Na verdade não todas, mas a maioria sim. Podemos notar parte dessa deficiência ao analisar a 4ª edição, onde os desafios de perícias trouxeram utilizações mais versáteis para as mesmas.
Por outro lado, antes mesmo do D&D 4, já tínhamos ótimos exemplos de como aprofundar as utilizações de perícias. Exemplos de mecânicas que funcionaram de forma divertida: World of Warcraft, Starwars Saga e Neverwinters Nights. Nunca foi tão divertido e útil adotar para o personagem, perícias como Herbalismo, Pesca e Forja, que trazendo para o universo do D&D 3.5, poderiam ser associadas à Sobrevivência, Ofícios e Profissão.
Pegando então esses bons exemplos como referência, adotei uma House Rule para aperfeiçoar o uso dessas perícias e, ao mesmo tempo, tornar o cenário de campanha algo mais curioso. A idéia é que os jogadores passem a valorizar pequenos detalhes e descrições, assim como o mestre gaste um tempo a mais enriquecendo o jogo.
Basicamente são pequenas receitas que podem ser adquiridas como um tesouro menor, presente ou conhecimento. Na prática é uma utilização mais atrativa da perícia Ofícios:
FERRÃO DE ANDRILLÁS
Um antigo clã de Geahazz descobriu uma maneira de aproveitar este resistente metal para forjar uma lâmina afiadíssima, fundindo a ele a terminação óssea do ferrão de um wyvern.
Componentes: 5 Kg de Andrillás, 1 Kg de Ferro, Ferrão de Wiverny
Manufatura: 10 Sucessos num teste de Ofícios (CD 17) num intervalo de 3 horas cada.
Preço de Mercado: 600 PO
Descrição: Quando combinada com Ataque Furtivo ou Inimigo Predileto, a Lâmina Causa +1 de dano adicional. Além do mais, a lâmina é considerada obra prima, portanto também concede +1 de dano para as jogadas de ataque. Caso seja encantada magicamente, o dano adicional continua sendo somado aos ataques.
Coloquei 10 sucessos num teste de Ofícios, em intervalos de 3 horas cada. A idéia é que o personagem faça algo que considere útil e se sinta recompensado por pagar algumas graduações naquela perícia. Note que você como mestre ainda terá controle dos componentes requeridos para a confecção de tais itens, por exemplo, eu criei o Andrillás, é um metal raro e dificilmente os personagens encontrarão grandes montantes dele. É bom tomar cuidado com os benefícios propiciados pelos itens dessas receitas, mesmo porque eles são mais baratos que os itens mágicos e, a menos que você jogue num cenário de pouca magia, eles não deveriam ser tão poderosos.
Para terminar, deixo mais um exemplo de receita que pode ser utilizado incorporado na sua campanha:
PROVISÃO DA MONTANHA
Os rústicos homens montanheses de Rhur usam esta receita para reforçar sua alimentação durante as longas viagens pelas Cordilheira Relloriana. É uma espécie de torta temperada que se embalada devidamente, dura como qualquer provisão de viagem.
Componente: 1 ovo de Cocatriz, Especiarias, Trigo.
Manufatura: 1 Teste de Profissão (CD 15) para cada unidade. Uma falha não significa a perda do alimento, contudo também não garante os efeitos adicionais.
Preço de Mercado: 75 PO (cada).
Descrição: O bolo garante ao usuário os benefícios do talento Tolerância durante 4 horas.







