Mestrando nos Reinos – parte II

by Yuri Peixoto on 01/04/09 at 11:20 am

Forgotten Realms Box Cover 2nd EditionDando seqüência ao meu primeiro artigo (que pode ser conferido aqui), continuaremos nossa jornada pelos Reinos, e pela gratificante tarefa de ser um DM. Seguindo o que iniciamos no nosso último post, passarei agora para o segundo ponto que deve ser considerado para mestrar uma boa aventura nos Reinos:

“E Agora as Notícias. Mantenha as fofocas, rumores selvagens e notícias verídicas fluindo, através de cada mercador e de cada caravana de passagem. Faça os Reinos parecerem REAIS e VIVOS, e lembre seus jogadores que seus personagens não são os únicos fazendo algo de excitante. Em tavernas e mercados, atire a eles opiniões a respeito do rei, ou desse ou daquele grupo de poder – e não se esqueça de deixá-los ouvir como as fofocas distorcem os seus atos públicos, também, para que eles fiquem prevenidos e não acreditem em tudo o que ouvem.” (Ed Greenwood).

Novamente, o foco na verossimilhança do cenário surge, de uma maneira simplista e fácil de ser conduzida por qualquer DM. Simplesmente, mantenha um estoque de notícias “aleatórias”, pré-criadas, nas suas anotações. Crie apenas os títulos, não precisa enlouquecer com páginas e páginas de informação para isso. Se você já assina um feed RSS, ou costuma assistir ao Record News, ou qualquer outro canal de notícias, veja como a idéia principal da notícia pode ser feita em uma única frase. Com essa mecânica em mãos, crie várias notícias sobre os mais variados assuntos, e as mantenha na manga, para usar em cada taverna, em cada mercado, a cada momento que o bardo ou o ladino pagarem uma rodada de bebidas para saber das últimas, ou obter alguma informação específica.

Um exemplo seria:

  • Lorde Tharovar pretende aumentar os impostos sobre os grãos na próxima estação (boato);
  • Ghilrem, filho do fazendeiro Ghilrod, ficou sumido por cinco dias na mata; retornou ontem, e está muito bem (fato);
  • Carlmor, o tecelão, é um espião zentharim (boato);
  • Lorde Tharovar vai dar uma grande festa para a Lady Evanlie Bleth de Cormyr, e parece estar extremamente interessado nela (fato);

Junto a isso, acrescente comentários sobre os PCs, sejam esses comentários verdadeiros ou não. Se você mestrar uma campanha on-line, via fórum ou e-mail, crie um tópico chamado “Foi dito na taverna…”, e coloque nele boatos dos mais variados tipos, assim como notícias reais.

Na taverna

Agora, e se os jogadores levarem essas notícias a sério e quiserem se aprofundar nelas? Se, por exemplo, o bardo queira estar presente na festa de Lorde Tharovar, ou o mago queira investigar se Carlmor é realmente um zentharim, como fica o DM? Extremamente satisfeito, eu diria. Com uma simples notícia, rascunhada em uma linha de texto, você ficará armado com inúmeras possíveis aventuras paralelas. Na verdade, cada boato é um gancho de aventura em potencial, tanto para o momento presente quanto para o futuro.

Pode ser que os heróis viajem até alguma masmorra perdida, ou vão a algum outro Reino em busca de ouro, fama e glória. Quando retornarem, além de encontrar um leque todo novo de notícias os aguardando, algumas das notícias anteriores podem ter evoluído para algo mais…

  • Ghilrem, o garoto que havia desaparecido, agora fala línguas estranhas que ninguém conhece, e parece ter contraído uma estranha maldição… todos os que convivem com ele fenecem ou pegam doenças terríveis;
  • Carlmor, o tecelão, foi espancado por rufiões, devido aos boatos de ser um zentharim. Teve o rosto todo retalhado, e agora conclama por vingança;
  • E a festa do Lorde Tharovar, então! Nosso bom Lorde deu uma suntuosa festa para impressionar a bela Bleth de Cormyr, a cortejou, e inclusive expôs o Coração de Azinjarr, a jóia mais preciosa da família, um rubi perfeito do tamanho de um punho humano. Dizem até que é encantado. Pois bem, a jóia fora roubada bem debaixo do nariz de todos os presentes. Alguém usou poderes diabólicos (magia, claro) para isso.

Assim as notícias crescem, ganham vida própria, junto com os NPCs e a região local. Insufle vida na imaginação dos jogadores. Eles se lembrarão mais sobre esses pequenos detalhes do que da cor das jóias recuperadas nas tumbas que visitaram.