Mestrando nos Reinos - Parte III
by Yuri Peixoto on 13/04/09 at 12:45 pm

Imagem da caixa de Forgotten Realms 2ª Edição
Olá, caros aventureiros. Aqui nos reunimos para nossa terceira jornada como DMs nas terras de Faerûn. Para os que ainda não estão nos acompanhando, esse artigo faz parte de uma série de 5 artigos que buscam servir como ferramentas para auxiliar o Mestre das Masmorras na ambientação dos Reinos Esquecidos (ou em qualquer outra, os artigos são amplos o suficiente para serem usados em qualquer ambientação). Os primeiros trataram dos seguintes tópicos:
Hoje, passaremos para o calendário da campanha. Citando Ed Greenwood:
“Mantenha um registro acurado do calendário da campanha. O que realmente quer dizer: anote quem são os vilões principais e antagonistas dos PCs e o que esses bastardos estão fazendo dia-a-dia. Assim os eventos continuarão acontecendo enquanto os PCs estiverem descansando, se recuperando, ou perdidos em alguma masmorra, em algum lugar. Lembre-se de introduzir novos vilões antes que os heróis acabem com os atuais (mantenha um suprimento constante), e deixe claro que os esconderijos, tesouros, fortalezas e amados que os heróis deixam para trás são “jogo limpo” para seus inimigos, e podem estar correndo riscos. Faça grupos de aventureiros atacarem os PCs enquanto eles estão dormindo em suas casas – apenas para conseguirem alguma reputação ou para roubarem esses ”aventureiros bem-sucedidos, podres de ricos”. Faça com que seus PCs tenham consciência do perigo de se fazer vários inimigos: eles podem ser atacados por dois ou três grupos de uma vez, ou seus adversários podem se juntar contra eles, ou credores e coletores de impostos podem tomar os bens dos heróis AQUI enquanto eles estão ocupados lutando por suas vidas LÁ.
Sim, isto significa fazer anotações. Não fique doido com isso, mas anote onde os personagens foram, itens conseguidos, mortes, e encontros iniciais com NPCs. Se você precisar fazer uma descrição de um local ou de um personagem de improviso, anote-a depois. Ou seus jogadores irão pegar suas inconsistências, cedo ou tarde”.
Verossimilhança, a palavrinha mágica, aparece novamente. Em uma campanha de RPG, as ações devem ter conseqüências. Vou ilustrar isso com um exemplo simples de algo que aconteceu recentemente em minha mesa.
Os heróis estão viajando de Aglarond até Rashemen, para avisar o Huhrong (rei local), que os exércitos de Thay estão se deslocando para invadir Rashemen, e dessa vez com uma grande ameaça arcana. Os heróis sabem, desde o início, que viajando a cavalo, correndo como loucos, vão chegar lá com pouco tempo de sobra para se prepararem para a invasão dos magos vermelhos.

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E, durante a viagem, a ladina decide por querer assaltar um lorde viajante (em um navio!). Imaginaram as repercussões? A ladina, possivelmente sendo presa, caso fosse pega, e atrasando todo o grupo. Ou, sendo bem sucedida, e atrasando o grupo porque precisa vender os objetos roubados na cidade mais próxima. Caso isso acontecesse (felizmente o outro ladino do grupo falou com bom-senso, e tirou essa idéia da cabeça dela), o que aconteceria com a invasão thayana? Colocá-la em “stand by” só para que tudo se ajuste melhor às más decisões do grupo (individual ou coletivamente) pode ser um recurso, mas é um recurso desesperado. Se o roubo acontecesse, e o grupo fosse atrasado (mais do que já estão sendo pelos orcs salteadores, na estrada), a invasão aconteceria, de qualquer maneira. E a campanha tomaria um rumo totalmente diferente. Iria se tornar uma campanha de guerrilha, para minar as forças de Thay, antes delas se consolidarem totalmente em Rashemen.
Cada ação deve ter suas conseqüências. Ilustrei um exemplo de meu grupo, que creio que reflete o que acontece em muitas mesas. Os PCs são heróis, isto é um fato inegável, mas chega uma hora em que a responsabilidade de suas ações deve cair nos seus colos, e eles devem estar preparados para lidar com isso.
Uma boa ferramenta para registro de calendário de campanha pode ser o calendário do Google, ou do Windows Live. As informações podem ser anotadas e mantidas ali, o que ajuda mais ainda o DM na sua tarefa de organizar um jogo divertido, imaginativo, interessante, e coerente. O Excel também pode auxiliar nessa hora, assim como um calendário de papel, desses grandes que a gente recebe todo ano.
Utilize o que for mais fácil e prático para você organizar. Você, como DM, verá que com o auxílio do calendário, acabará descobrindo coisas interessantes que os vilões (e outros NPCs) poderiam estar fazendo, enquanto os PCs exploram masmorras, ou “descansam para que o mago ou o clérigo recuperem suas magias”.
Bem, por hoje é só. Caso alguém queira que algum ponto específico dos Reinos seja coberto em algum artigo futuro, basta pedir aqui nos comentários, que faremos o possível para atender.
Até a próxima semana, quando falaremos sobre humor na mesa de jogo







