Projetando Aventuras II - Desafios
by Ataualpa Pereira on 07/04/09 at 9:28 am
Muito bem, no último artigo dessa série eu sugeri o Storyline como forma de traçar a linha central de sua aventura. Em resumo, falei sobre como ser objetivo na hora de idealizar o que você quer.
Agora olhe para a imagem ao lado.
Apetitosa não? Se esse bolo for sua aventura, os melhores ingredientes são os desafios antes do resultado final.
Quando decidimos projetar nossas próprias aventuras, partindo de uma idéia central, sabemos que o restante do jogo, obviamente, não vai muito longo do que pensamos inicialmente. Então, quase que instintivamente, pegamos um bestiário e começamos a selecionar um monstrinho aqui e um duelo ali. Algumas vezes, porém, sem nenhum compromisso, começamos a adicionar desafios aleatórios na aventura, até que finalmente temos um amontoado de perigos antes do tão esperado combate final.
O problema é que, no caso de uma receita, colocamos ingredientes a mais ou esquecemos os principais algumas vezes.
O mais correto neste estágio é pensar em algo coerente, algo que aguce a fome dos jogadores, para só então projetar esses desafios. Na idéia que estamos trabalhando, o rumor de um dragão foi plantado logo no começo, então os personagens ficarão na expectativa de confrontá-lo. O desafio final já está praticamente pronto, portanto já sabemos que nada antes dele deve ser tão difícil. Isto é, considerando que você está trabalhando numa escala de dificuldade ascendente.
Na hora de projetar os desafios que levarão até o final da aventura, sugiro um começo devagar, nada muito apelativo, mas que de alguma forma aguce ainda mais a fome dos jogadores. Quem jogou o primeiro Baldur’s Gate, lembra bem que ao chegar em Naskhel, os personagens de cara se deparam com Kobolds espreitando a vila. Futuramente descobrimos que os monstrinhos também tomaram as minas da cidade, que fica mais ao sul. E no final, bem…havia um culto de Cyric por trás dos kobolds. No meu caso, os personagens precisam ajudar uma cidade que corre o risco de ficar sem mantimentos de inverno.
Esses mantimentos, por sua vez, ficaram retidos nas montanhas por motivos desconhecidos (pelos personagens). Ao se arriscar numa busca, eles acabam confrontando criaturas que normalmente vivem em cavernas no interior das montanhas. Em seguida descobrem que algo está fazendo com que elas abandonem seus lares no inverno. Isso ficará claro quando ocorrer um dois encontros com uma dessas criaturas.
Normalmente trabalho com uma estrutura simples para bolar os desafios, ela se divide em três estágios: Dificuldade, Gatilho, Execução.
Dificuldade: A meu ver, um encontro pode ser fácil, mediano ou difícil. Isso não é mistério. Se você segue minha linha de raciocínio, costumo começar com desafios mais simples.
Gatilho: A condição ou ação que coloca os personagens dentro do confronto ou perigo.
Execução: Como o desafio acontece.
E aqui vai um exemplo de desafio combativo:
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ORCS SALTEADORES (Mediano)
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Um grupo de Orcs foi expulso do seu lar por pelo dragão branco. Hoje, temendo morrerem de fome no inverno, os monstros espreitam num complexo de cavernas que no passado pertencia aos anões. Apesar de pouco usado, o túnel serve como atalho para viajantes mais ousados.
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Gatilho: Pegar um atalho para ganhar 1 dia de viagem.
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Execução: Ao adentrar o túnel, os personagens são emboscados pelo grupo de orcos. Eles atacam quando os personagens passam por uma ponte. |
E um outro de desafio sem combate:
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AVALANCHE (Mediano)
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Em determinado momento da viagem, os personagens escutam um estrondo no alto da montanha e em seguida uma avalanche atinge a trilha.
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Gatilho: Ignorar o atalho e pegar a estrada que contorna a montanha. |
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Execução: Numa encosta estreita os personagens terão que enfrentar ventos fortíssimos e encontrar um abrigo rápido para uma avalanche. Será necessário rolar testes de perícia adequados para a situação
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Assim, após um desafio razoavelmente perigoso para esquentar as coisas, os personagens começarão a desconfiar de algo, basta que com isso um dos orcs deixe escapar algo sobre um “demônio branco”. Logo, com a curiosidade aguçada, todos estão se questionando sobre o que está acontecendo adiante e assim você terá certeza que todos vão desejar a cereja no topo do bolo.








