Iniciativa 4E - A Lenda de Boremm

by Yuri Peixoto on 15/05/09 at 10:53 am

Saudações, meus caros.

iniciativa3Aqui quem fala é Yuri Peixoto, e essa é minha primeira empreitada na Iniciativa 4E, aqui no Dado Mestre, junto ao grande Ataualpa. Mas vamos logo ao que interessa: onde você encontrar esse selo, tenha certeza que o material postado ali foi lido e revisado pela equipe integrante do projeto. O tema dessa sexta-feita é “Conto de fadas” e  achei um bom tema, porque há muito o que pode ser dito sobre ele.

Boa leitura.

O Conto

Agrestia das Fadas

Um céu de um azul imaculado pairava sobre Mithrendain, na Agrestia das Fadas, quando Arnvanduii caminhou de volta para a torre de sua família. Quem olhava seu semblante, não via a preocupação que lançava sombras sobre o coração do eladrin. O que ele vira e ouvira, e mais ainda, o que ele pressentira, não era um bom sinal.

Mithrendain não fora criada como uma fortaleza à toa. Haviam razões sérias para os eladrin manterem seus soldados ali. Principalmente os Trovadores da Espada. Mas agora, tudo pode mudar.

Pesaroso, Arnvanduii adentrou sua torre. Sua esposa o aguardava no salão principal.

“Feliz encontro, amado do meu coração”, Qysalla disse com ternura.

“Feliz encontro”, o Trovador Mestre respondeu, deixando finalmente esvair sua exasperação. “Estou preocupado, amada… há boatos de que…”

“Depois!”, Qysalla o interrompeu subitamente. “Antes de tudo, nosso filho precisa de ti”.

Imediatamente, o austero Arnvanduii se ergueu da cadeira onde acabara de sentar, sua capa se agitando com o súbito movimento. Caminhando com a graça sobrenatural de sua raça, o elfo avançara até até o quarto de seu filho, com sua esposa ao lado. Ao abrir a porta, encontrou novamente a cena com a qual já se acostumou. O pequeno Faelyn arfando, assustado, sentado olhando o vazio.

“O que foi, querido? Outro pesadelo? Venha não fique assim…”. Pegando na mão de seu filho, Arnvenduii sentiu o suor frio e escorregadio que ali estava.

O elfo suspirou. Que os problemas dos eladrins fiquem para depois. Agora, era a hora de cuidar de seu filho. Sentando-se ao lado do pequeno Faelyn, Arvenduii dedilhou sua harpa. As notas claras e límpidas afastaram o frio que parecia emanar do local, e conquistaram completamente a atenção de seu filho.

“Meu querido, sangue de meu sangue, vou lhe contar uma história, para fazê-lo esquecer dos terrores que o assolam. Uma história de amor, um amor incondicional capaz de atravessar os mundos. Um verdadeiro conto de fadas.”

“Era uma vez…

Uma ninfa de beleza encantadora, e graça incomparável. Sua luz emanava tão fortemente, que a própria água dos córregos e riachos cantava à sua presença. Sua alegria contaminava as flores, que desabrochavam, os pássaros, que chilreavam, e a própria relva que balouçava mesmo sem vento. Bastava a sua presença. Seu nome era Allyöffe, e dizem as lendas que o próprio Príncipe do Frio a cortejava. Mas ela nada queria dele, nem seu amor frio, nem sua crueldade velada.

Allyöffe das Fadas

Allyöffe das Fadas

E assim Allyöffe vagava por toda a Agrestia das Fadas, como uma deusa-mãe, progenitora da vida e da Primavera. Com o sol em sua fronte, e o vendo a balançar seus cabelos, ela seguia trazendo a alegria a todos. Até o dia em que ela, numa de suas viagens aos mundos dos mortais, encontrara um humano. Sim, filho, um humano de carne e osso. Não era jovem, esse humano, muito menos atraente. Seus cabelos já eram grisalhos, e lhe faltava um olho, perdido durante um combate com uma fera medonha. Mas esse humano trazia em seu peito uma veneração tão profunda pela terra, e por todas as coisas que crescem e germinam, que ele muitas vezes se embrenhava nas matas, bosques e florestas.

E foi assim que Boremm dos Homens e Allyöffe das Fadas se conheceram. O amor de Boremm se expressou com força e vitalidade maior, e explodiu por todo o seu corpo. Pois à sua frente estava uma prova viva, uma representação encarnada dos poderes da natureza. Allyöffe, por sua vez, não soube o que dizer. Pega de surpresa, a princípio não considerou corretas as investidas daquele humano, daquele mortal.

E quando a fada se preparava para voltar, Boremm começou a cantar. E Boremm era o melhor bardo mortal que já vivera em seu tempo, apesar de hoje ser considerado apenas uma lenda, apenas um ‘conto de fadas’…
Sua canção, a melodia de sua voz, a harmonia de suas notas, atravessaram o coração de Allyöffe com um perigo maior que o de mil lanças. Ela foi inundada pelo amor daquele mortal, e suas almas se uniram a partir daquele momento. Logicamente, a Corte das Estrelas, os Regentes das Fadas ficaram sabendo disso. Allyöffe não era desconhecida, e todos temeram o que poderia ocorrer se aquela união se consumasse. Temiam perder a Primavera para o mundo dos mortais. “

“E o que as Fadas decidiram?”, perguntou Faelyn, interessado. “E, pai? Não tem um Boremm-alguma-coisa nas manobras dos Trovadores da Espada?”

Arnvanduii observou atentamente seu pequeno filho antes de responder: “Shhh, não estrague a estória. É apenas um conto, meu pequeno. Mas onde eu estava? Ah, sim, sua pergunta.”

“As Fadas decidiram mandar nosso próprio Rei falar com o humano, explicar-lhe a situação, dizer-lhe que tal união não seria possível.

O Rei encontrou Boremm e Alyöffe juntos numa clareira, na Terra dos mortais. Ele até que tentou argumentar, mas perdeu a palavra diante do que vira.

Pois como poderia, o soberano das fadas, ir contra tamanho amor e tamanha felicidade? Boremm conquistara o que poucos mortais jamais haviam conquistado, e em um nível que ninguém jamais havia conseguido: o amor e a confiança da Agrestia das Fadas em sua totalidade.

Dizem as lendas, principalmente as dos mortais, que tal amor gerou alguns frutos maravilhosos. Dizem entre eles que há um pacto entre os mortais que respeitam a natureza, e as fadas, graças a Boremm. E que por intermédio desse pacto, tais mortais podem ter um vislumbre da nossa Primavera. Dizem as lendas que Boremm sobreviveu até mesmo à ira do rejeitado Príncipe do Frio.

E dizem as lendas que eles viveram Felizes para Sempre.”

Arnvanduii olhara seu filho, que repousara no transe dos eladrins, aninhado no  colo de sua mãe. Seu coração se elevou naquele momento, pois como poderiam os problemas diplomáticos dos eladrin, superar tamanho amor?

A Lenda

Corre entre os mortais do seu cenário de campanha a lenda de Boremm, mas não tão elaborada quanto a dos eladrin. Para os mortais, houve um grande bardo chamado Boremm, e através de sua união com uma fada, que os devotos da natureza puderam a partir daí se comunicar mais com as fadas, e extrair poder dos seres feéricos.

A Verdade

Pelo amor de Boremm e Allyöfe, um pacto fora criado entre o Bardo e as Fadas. Boremm criou um ritual, uma canção de harmonia inigualável, que trazia para a terra um aspecto da Agrestia das Fadas. Por anos, o bardo usou tal ritual para criar várias encruzilhadas mágicas pelo mundo. As encruzilhadas funcionam como portais, que não podem ser vistos, sentidos ou detectados. Mas basta pisar em um, que qualquer um é imediatamente transportado para o ponto de destino (a outra saída do portal). Todas as encruzilhadas possuem guardiões, fadas que assumem o papel de vigias e guardas. Para se passar por uma encruzilhada, o viajante precisa “agradá-la” de alguma maneira (e você, como DM, escolherá a que melhor lhe convier). Algumas vezes os guardiões permitem que alguém seja transportado “de graça”, apenas pela diversão de ver uma pessoa desaparecer daqui e ir parar em algum lugar bem distante. Todos os personagens Primais (druidas, shamans, wardens e bárbaros) podem usar sua ligação maior com a natureza para agradar os guardiões e atravessar as encruzilhadas. Bardos, por sua própria natureza, também podem conseguir isso com uma boa canção, prosa ou estória. Outros personagens podem jamais conseguir atravessar uma encruzilhada, sem a companhia de um Primal ou de um Bardo (cabe aqui o julgamento do DM).

O Ritual

O ritual de Boremm está desaparecido há muito tempo. Ele o havia registrado em seu livro de canções, que se perdeu no passado. Hoje, vários séculos depois, Boremm é visto como uma lenda, uma estorinha para divertir crianças, e o amor do Bardo e da Fada é considerado apenas um “Conto de Fadas”.
Encontrar o livro de canções de Boremm pode mudar drasticamente o modo como os mortais encaram as criaturas feéricas, e dar lhes uma grande vantagem (e possíveis grandes aliados, principalmente entre as Fadas do seu cenário de campanha).

Canção da Abertura


Sua melodia invoca um pedaço da Agrestia das Fadas, criando uma encruzilhada mágica no mundo.

Nível: 10
Categoria: Travel
Tempo: 10 minutos
Duração: Permanente
Custo em Componente: 500 po
Preço de Mercado: 2600 po
Perícia chave: Arcana

Você cria uma encruzilhada, um atalho que parte do Plano Primário, cruza a Agrestia das Fadas, e retorna ao Plano Primário, em outra localização. As encruzilhadas são áreas verticais e retangulares com até 6 quadrados cada uma. O conjurador deve ter visitado pessoalmente o destino das encruzilhadas para criá-las.
O Ritual invoca um guardião e cria uma encruzilhada em cada ponta. O guardião sempre tem uma atitude prestativa em relação ao seu criador.
O procedimento requer sua dedicação e atenção total, usado no preparo da área, em geral revitalizando a natureza e removendo quaisquer traços de civilização.
Ao término do ritual, faça um teste de Arcana. O resultado indicará o nível do guardião invocado.

Resultado do teste Nível do guardião
19 ou menor                                             5
20-29                                                         10
30-39                                                         15
40 +                                                            20
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carta_poder_versos_boremm

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Referências

Antes de concluir, gostaria de honrar as fontes nas quais bebi para este artigo:

  • Ed Greenwood, criador do conceito das encruzilhadas feéricas (consultem o livro Magia de Faerûn para ver uma versão 3.x);
  • Marion Zimmer Bradley, pelo livro A Senhora de Avalon, e toda a interação entre fadas e mortais;
  • Mais sobre Mithrendain, a cidadela da Agréstia das Fadas, pode ser conferido na Dragon Magazine #366;
  • Mais sobre o Príncipe do Frio (Prince of Frost) pode ser conferido na Dragon Magazine #374.

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