Inimigos Memoráveis: O Lich do início ao fim - Parte I.
by Ataualpa Pereira on 19/05/09 at 7:53 am
Kangaxx, Sauron, Arthas Menethil, Voldemort, Xykon ou Strahan Runeshadow. O que teriam em comum estes personagens no universo da ficção? Todos são exemplos adaptados de um vilão clássico, cuja imagem e poder o faz protagonizar sempre como o mais poderoso dos vilões, aquele ser antigo que mesmo após sua suporta morte, possui tentáculos malignos agindo entre os mortais.
Estamos falando do Lich.
Apesar de ser mais popular entre os jogadores e/ou leitores de fantasia medieval, o Lich é um vilão presente em praticamente qualquer história ficção, mesmo as mais modernas. Na verdade, se você fizer uma verdadeira pesquisa, hoje você poderá encontrá-lo não só num antigo conto de Robert E. Howard, mas também nos mais recentes jogos de computador e no cinema.
E, claro, se você realmente for a fundo nessa busca, encontrará referência do nefasto morto-vivo em diversas lendas ao redor do mundo. Na
Russía, por exemplo, há o Koschei, um ser cujo corpo não podia ser destruído por meios normais, já que sua alma ficava separada e poderia estar escondida numa agulha, ovo, cofre ou ilha desconhecida. Apesar de que no inglês arcaico, a palavra “lych” significa algo como “corpo” ou “cadáver”, sua lendas provavelmente são oriundas do Oriente Médio, talvez pelas antigas práticas de sepultamento egípcias, onde o corpo e os órgãos dos reis e sacerdotes eram separados e ocultados dos “mortais”. Alguns desses monarcas, claro, asseavam por voltar à vida (ou viver eternamente).
Essa tal vida eterna, ou qualquer tipo de invulnerabilidade, torna-se um desafio perigoso se bem utilizado numa aventura de RPG. O problema é que normalmente vemos o Lich tratado como uma bloco de estatísticas, mais um NPC poderoso a ser superado no final de uma campanha épica. Tentados por esta praticidade, os mestres apenas separam uma ou duas fichas de vilões, sendo o conjurador morto-vivo uma das escolhas prediletas. Ou seja, acaba descartado das campanhas um lado que acho formidável no que tange o a criatura: o processo que o leva a chegar àquele estado. E como ele lida com sua bênção/maldição após a transformação.
Qualquer grupo de personagens jogadores que antagonizarem com um NPC desde o início dessa trajetória, teria, ao final da campanha, no mínimo algo entusiástica para contar, sobre um inimigo que valeu cada noitada de jogo.
Mas que trajetória é essa? É o que pretendo apresentar nesta série de artigos dividida em 5 partes, e que começa agora.
O LICH DO INICIO AO FIM
Por mais poderoso que o NPC possa ser, ele também teve um começo, conseqüentemente terá uma história para contar sobre sua trajetória. Um mago ou sacerdote ambicioso por poder preenche o estereótipo do Lich, contudo é válido lembrar que ao projetar um vilão deste tipo, podemos explorar outras ambições para melhor colorir este personagem. É interessante definir o que levou o personagem a querer se tornar eterno, portanto temas como Vingança, Amor, Promessa, Devoção, Gratidão e Vigilância também podem ser usados para compor essa parte.
Seria interessante definir uma localidade, com pessoas que o tenham conhecido no início, talvez uma cabala de magos, igreja ou parentes. Isso mostrará o que o NPC deixou para trás, como era sua vida antes de se tornar o morto-vivo maligno que antagoniza a história. E vale dizer, todos os nomes citados no início do post possuem suas histórias, mesmo o cômico Xykon.
Quem leu o post sobre as aventuras clássicas de D&D, deve lembrar que falei de Acererak, demilich arquiteto da Tumba dos Horres. Ele possui toda uma história antecedendo seu estágio final, como, por exemplo, ter sido um pupilo de Vecna. Portanto, antes que cheguemos na ficha, vamos entender um pouco o que realmente é um Lich, ou como poderia ser seu surgimento.
O Começo
O monstro é normalmente descrito como um ser de maldade extrema, ou seja, alguém cuja motivação ultrapassa os padrões normais. Mesmo porque, a forma como ele se transformará provoca uma dor que está além do normal. É a dor da morte. A separação do corpo e da alma.
Apesar de já descrito em inúmeros livros e matérias sobre o assunto, abordarei três exemplod de como um conjurador pode se tornar um Lich, aqui chamadas de “O Pacto”, “O Sacrifício” e “O Rompimento”.
O Pacto Horrendo – O conjurador cria primeiramente receptáculo de sua alma, a tão famosa filacteria. Em seguida, através de um ritual que culmina na alto-destruição, sua alma é sugada do corpo e para o objeto.
O Sacrifício Hediondo – Efeitos mágicos que reproduzam o efeito de Recipiente Arcano são usados no processo. O conjurador deve executar a magia no exato momento de sua morte, num sacrifício que exige extrema sincronia. Apesar de não necessitar de ajuda, este processo é mais perigoso, já que a alma pode ser removida no momento errado e ficar presa no receptáculo, ou mesmo ele pode morrer antes de terminar a execução da magia.
O Rompimento – Aqui é preciso um voluntário confiável, já que uma terrível fonte de dor é provocada no conjurador enquanto sua alma é forçada a entrar na filacteria. Esse processo provavelmente é a forma mais efetiva, contudo, devido a tamanho sofrimento durante o processo, nem sempre o conjurador sobrevive. Mais uma vez, é preciso determinação.
É claro que os rituais de transforamção são se limitam aos exemplos acima, mas o resultado é evidente: haverá sempre uma filacteria. E uma vez que a transformação tenha se iniciado, o candidato agora terá que passar por mais quatro estágios: A Jornada, O Esquecimento ou Grande Busca, a Corrupção e o Demilich. Mas isso será assunto para o nosso próximo post, até lá.
Referências:
Kobold Quarterly #3
Necronomicon
Tomb of Horrors









