Inimigos Memoráveis: O Lich do Início ao Fim - Parte II
by Ataualpa Pereira on 10/06/09 at 12:16 am
Confrontar um inimigo e vencer é ótimo, contudo, derrotar um bom inimigo é ainda melhor. Um PdM memorável é aquele que provoca temor, raiva ou mesmo piedade por parte dos vencedores. É aquele personagem que pode ser lembrado por muitos anos, não como o mais poderoso, mas sim como o mais interessante.
Utilizar um Lich como um dos vilões numa campanha é bem diferente criar uma campanha ao qual ele é o principal inimigo dos personagens. A trajetória que tornará a criatura um ser de extremo poder é no mínimo interessante e utilizar essa trajetória dentro de uma campanha pode ser algo bem mais legal que simplesmente apresentar o “chefe de fase” tradicional no final de sua saga.
E assim, como os personagens possuem uma jornada evolutiva em uma campanha, um lich-iniciado também possui a sua. Durante este processo ele, obviamente, não estará tão poderoso como nos anos, décadas ou séculos posteriores, mas provavelmente começará a colocar seus planos em prática.
ADENTRANDO NA ETERNIDADE
Nem todos os aspirantes conseguem se tornar Lichs, mas aqueles que conseguem ainda terão uma longa trilha a percorrer. Se você observar o Template (Modelo) do Lich, seja no D&D 3.5 ou no D&D 4, verá que apesar de ganhar imunidades extras, redução de dano ou regeneração, o poder da criatura não é alterado a ponto de torná-lo uma grande ameaça. A menos, claro, que ele já seja um poderoso conjurador. Neste caso, antes mesmo de realizar ritual, ele poderia destruir inimigos menores sem grandes problemas.
O Libris Mortis possui um conteúdo útil sobre a fisiologia e psicologia dos mortos-vivos. A fisiologia do lich não é algo que ficará em evidência, já que a criatura não possui mais nenhuma necessidade física e está fadada, no máximo, a definhar com idade. Por outro lado, o fator psicológico conta muito, pois uma vez não estando mais vivo, o conjurador acaba se dando conta que a passagem do tempo é algo banal. Ou pelo menos deveria.
A JORNADA
Ele pode até buscar uma vingança imediata contra alguns mortais, mas para quê fazê-lo agora? Ele pode simplesmente esperar o tempo agir sobre seus inimigos, preparando sua vingança com requinte, enquanto coloca outros planos insanos em prática. Além do mais, o pior momento ao qual ele iria de encontro a seus inimigos é agora, já que ainda está entendendo do que se trata sua natureza.
Essa trajetória normalmente é preenchida por um grande objetivo, o verdadeiro motivo ao qual um mortal abdicou da vida em troca de uma existência vazia. Imaginem vocês que, um ser, para abandonar tudo o que há de bom em estar vivo, estaria com objetivos acima dos prazeres da carne. É diferente de um personagem comum, que deseja riqueza e poder.
Provavelmente o primeiro passo dado pelo vilão será proteger seu refúgio, ou encontrar um local à altura de seu poder. Uma tumba ou “antiga torre” é o clichê. Sendo assim, porque não uma simples e velha casa no beco de uma grande cidade, onde ele mesmo se passa por uma pessoa comum através de magia? Ele poderia atravessar décadas nos porões da casinha, até obter informações e recursos o suficiente para executar suas sandices.
Enfim, essa jornada pode ser vista de duas maneiras por você, mestre. A primeira seria encarada como a trajetória (como pano de fundo) que levou o conjurador a se tornar poderoso e ainda mais perigoso, o antagonista idealizado para sua campanha.
Por outro lado, se você optar por tornar o lich um inimigo duradouro e presente no arco da história, essa Jornada pode ser encarada como linha da campanha. Então seja maldoso. Use todos os recursos possíveis para evitar um confronto definitivo, como por exemplo: Fugas, Traições, Chantagens, Desabamentos, Outro inimigo dos PJ’s, Lacaios e Capangas, Reféns, etc.
Mas lembre-se: você enquanto mestre, deve tomar cuidado para não frustrar seus colegas, portanto faça com vençam também. O morto-vivo pode reconhecer que não é páreo para seus inimigos e desaparecer por um bom tempo, até cair no Esquecimento. Mas isso é assunto para o próximo post.
10 Idéias para incorporar o Lich na sua campanha.
- 1 – Os personagens se tornam inimigo do conjurador antes dele se tornam um morto-vivo.
- 2 – Os personagens investigam o possível assassinato do conjurador. A verdade é que ele realizou o ritual.
- 3 – Um prisioneiro local insiste em dizer que o sacerdote local não é quem todos pensam ser.
- 4 – Uma recompensa está sendo oferecida para quem recuperar um precioso diamante (a filacteria) que caiu em mãos erradas.
- 5 – Os personagens são incumbidos de reverter o ritual que transformou acidentalmente um sacerdote benigno em Lich. Porém ele enlouqueceu e não deseja retornar à sua condição normal.
- 6 – Os personagens, ao explorar uma masmorra, libertam um lich acidentalmente.
- 7 – O lich seqüestra algum ente querido dos personagens. Para libertá-lo, pede que eles resgatem sua filacteria num local recentemente invadido por um dragão.
- 8 – Um NPC amigo do grupo é alvo acidentalmente de um ritual semelhante ao Sacrifício Hediondo, tornando-se um lich. Agora está sendo perseguido e precisa da ajuda dos personagens.
- 9 – Um dos PJ carrega no pescoço um poderoso artefato, que além de inteligente, carrega dentro de si a filacteria de um lich. O objeto pede que seja mantido a salvo até que possa ser destruído nas profundezas vulcânicas de certa montanha…
- 10 – Um rei, prestes a morrer doente, se transformou num lich. Agora, enlouquecido com a possibilidade de vida eterna, assinou ou exilou seus descendentes e iniciou uma campanha violenta para conquistas os reinos vizinhos. Infelizmente ele conta com o juramento de todos os membros da guarda real.








