Mestrando nos Reinos - Design de Campanha II

by Yuri Peixoto on 23/06/09 at 1:08 pm

Dia, meu povo.

Cá estamos nós para darmos sequência ao arquivo da semana passado sobre Campanhas nos Reinos Esquecidos.

Não leu ele? Então, leia primeiro:

Design de Campanha I

Agora sim, dando sequência. Semana passada, discorri sobre meu modo de “esquematizar” primeiro a campanha, e deixar as outras partes para depois. Que outras sequências?

Agora, falaremos sobre uma das que eu gosto mais de passar tempo: a criação dos personagens. Esse é um ponto em que gosto de passar uma boa parte do meu tempo, auxiliando os players e fornecendo idéias e incentivos para que eles criem os personagens que eles gostem, como eles querem usar.

A morte de Sturm, por Larry Elmore

A morte de Sturm, por Larry Elmore

Como eu lido com isso? E quais são as maneiras de se lidar com isso, usando pouca ou muita informação (material) de Faerûn?

Primeiramente, eu penso que seja primordial que o DM conheça os jogadores e seus gostos? Mas e se o grupo for novo? Ora, basta perguntar, que não ofende. Quais são as preferências dos jogadores? Matar, queimar, pilhar e destruir?  Intriga? Exploração de ambientes selvagens? Batalha épica maniqueísta? Algo cheio de nuances de cinza, sem uma definição muito clara de bem contra o mal?

Descubra isso, pois baseado nisso você definirá melhor o foco das aventuras (afinal, você mestra pra eles). Como fazer isso, baseando-se com o material básico do cenário de campanha?

Bem, sabe lá no começo do FR Campaign Setting? Tem uma descrição básica das raças nos reinos, e também das classes! Ora vejam vocês! Com essa informação, por mais “básica” que seja, serve de ponto de apoio pra você criar e adaptar o que quiser. Portanto, se você for mestrar na Terra dos Vales, e alguém for jogar de monge, o que você pode fazer:

  • em Faerûn, os monges do continente são devotos das divindades;
  • no FR Campaign Setting,  são listados algumas ordens monásticas, sendo que algumas inclusive dão benefícios extras (como por exemplo, ser um monge multiclasse);
  • o Tonhão quer jogar de monge; portanto:
  • trabalhe com ele a história de como ele foi levado para o monastério mais próximo. Se não tiver nenhum que soe plausível nem para você, nem para o jogador, o treinamento dele pode ter sido feito por um monge viajante no templo local.

Não é difícil trabalhar, tendo somente o material básico. Na verdade, você fica mais livre, e tem menos livros e material para tomar seu tempo na elaboração. Agora, e se for usar o escopo dos livros de Forgotten para a definição dos personagens?

Aí, dance com a música dos livros:

  • Races of Faerûn é soberbo para a definição e visual das várias raças e etnias e equipamentos extras;
  • Faiths and Pantheons é obrigatório para qualquer invocador divino;
  • Magia de Faerûn, idem para os arcanos;
  • As informações pertinentes aos players no material da ambientação escolhida (Waterdeep, por exemplo).

Tente não usar esse material para sobrecarregar os jogadores, ou assustá-los mais que uma professora de geografia. Tal material é apenas um suporte, não um dever de casa. O estudo desses livros e suplementos deve ser feito com critério.  Jamais jogue para o jogador 5 páginas sobre a etnia chondatani, 4 sobre a divindade Shaundakul, 4 sobre a classe de personagem, mais equipamento, feats e talentos, a não ser que você saiba que o jogador em questão gosta de ter acesso a esse material, e tem tempo livre pra ler e elaborar algo em cima do que foi passado.

Mas como descobrimos isso, e como fazemos os benditos jogadores nos passarem o bendito background ANTES da primeira sessão de jogo?

Taí um ponto delicado e complicado. Alguns jogadores simplesmente nunca escrevem seus backgrounds, alguns vem com o velho chavão da falta de memória, e outros enrolam tanto que não nos deixam ter um suporte bom para trabalharmos.

E o background é importante? Demais! Mas não vou focar aqui só no background, se você quiser ler posts específicos sobre background e dicas para criá-lo, dê uma pesquisada. A blogosfera nacional está cheia de posts inspirados sobre o assunto. Numa pesquisada rápida no Google, você pode pescar vários materiais interessantes. Deixo aqui dois links pra vocês se aprofundarem mais:

  • meu “parceiro” Renato de Recife fez um post bom sobre o assunto no seu blog, o Toca de Gnomo. Confira aqui.
  • o Castle & Dragons, do sumidaço Jean da Silva, também tem um artigo legal sobre background. Ó o link aqui.

No caso dos jogadores darem trabalho para entregar os backgrounds, você como DM pode estar preparado com atencedência. Como? Criando um questionário básico sobre os PCs, para que os jogadores respondam e entreguem no momento da criação das fichas. Eu elaborei um questionário desses, que o Ataualpa aprimorou e usou na sua campanha, o Abismo. Abaixo, seguem as perguntas que usamos:

  1. Ninguém sabe lutar, obter a intercessão divina, ou encantar feitiços do nada. Como seu personagem obteve as habilidades que têm? E suas perícias (Natação, Ofícios, Blefar)? Como, onde, e com quem ele aprendeu tais coisas?
  2. Ele é “patriota”, possui um lar, lugarejo ou nação que ama e deseja protejer?
  3. Elepossui entes queridos, ou amores em sua cidade natal? Ele ama alguém? E mais importante ainda, ele odeia alguém?
  4. Ele tem inimigos, desafetos ou competidores?
  5. Que valores ele carrega no coração? É honrado? Egoísta? Materialista?
  6. É inegável a existência de poderes divinos em Faerûn. Como seu personagem lida com as várias crenças e fés?
  7. O que o faria arriscar a própria vida?
  8. O que o faria trair seus ideais?
  9. Quais seus objetivos principais no momento?
  10. Ele teme algo?
  11. Quais aventuras você gostaria que ele presenciasse? Dê pelo menos 3 sugestões.

Conforme você pode perceber, tais questões extraem informações mais pertinentes e importantes dos personagens que muitos suplementos, horas de livros e backgrounds trabalhados conseguiriam.

Pega o lagartão!

Pega o lagartão!

Crie as suas próprias, adequadas ao seu cenário preferido, ou a sua campanha específica. As informações que os jogadores te dão nessa fase serão primordiais para o desenvolvimento da sua campanha.

Bem, por hoje ficarei por aqui. Semana que vem falarei sobre os vários suplementos de Faerûn (ou a falta deles), e como otimizar seu uso na campanha. E por fim, demonstrarei na prática como usei todas essas informações pra tecer minha atual campanha.

Vejo vocês na taverna, e aguardo vossos comentários.