Mestrando nos Reinos - parte 4
by Yuri Peixoto on 23/09/09 at 4:20 pm
Olá, meus caros aventureiros. Após um hiato gerado por problemas de saúde e por estar trabalhando um pouco mais que o normal, o Arquimago do Dado Mestre está de volta.
E já retorno dando continuidade á minha sequência de artigos voltados a auxiliar os DMs a conduzir suas campanhas de RPG em Forgotten Realms, um dos cenários mais queridos dos rpgistas. Portanto, sem mais delongas, lá vamos nós.
Antes de iniciar, contudo, seguem abaixo os links dos artigos anteriores:
Relembrou os velhos artigos? Beleza, vamos avançar, então. Como eu disse, eu uso esse esquema que demonstrei nos artigos anteriores para criar o esqueleto das minhas campanhas. E, neste post de hoje, vou demonstrar como isso afetou (e afeta) minha atual campanha, “Sob dois Céus e um Passado Sangrento”.
Como eu disse no primeiro artigo, a espinha dorsal da campanha seria o arco de aventuras Throne of Deceit / Runes of Chaos. Tais aventuras levam a um desfecho épico que abalará o Oriente de Faerûn, e não direi mais sobre isso porque meus jogadores visitam o Dado Mestre com frequência.
As aventuras se passam no passado de Faerûn, comparado com a edição 3.5 do D&D, onde o cenário de campanha estava no ano de 1372 CV. Logicamente, eu teria de deturpar alguns fatos, omitir outros, e alterar outros tantos, para que isso funcionasse (viu, pessoal? O cenário é seu! Ninguém é obrigado a seguir o canon de Faerûn como se fosse a Bíblia ou o Alcorão). Movi os eventos para 1372, reuni os jogadores, e distribui os questionários que citei no artigo 2.
Cada jogador me veio com uma origem diferente, e com ambições variadas, que facilitaram mais ainda a minha vida. Eis a lista:
Mardûk Barba-Negra, um guerreiro anão do escudo vindo de Unther, com problemas no clã. Seu tio se aliara aos zentharim. Marduk montara uma forjaria em Thesk e vive em uma das cidades da nação mercante, casado com Erodin Ruivão.
Khalmmyr Madislak, um aasimar de Rashemen, cuja família se mudou para o Grande Vale durante a invasão Tuigan. Khalmmyr é um guerreiro e um warmage, jovem e idealista. Apaixonado por uma atendente de taverna de Bezentil.
Zepp, um gnomo ilusionista-ladrão, cheio de malandragem. Grande amigo do Mardûk. Pouco se sabe da origem dele, mas ele veio de Thesk.
Depois, se juntaram a eles:
Meggane, ladina de Thesk. Essa jovem “criada-nas-ruas” usa e abusa de seu charme e sua falsa inocência para viver no submundo das grandes cidades comerciais do Oriente.
Eronides, conjurador de Aglarond. Humano, rapaz filho de uma família tradicionalmente arcana (todos são especialistas em uma ou outra escola), Eronides é muito jovem, inexperiente, e deslumbrado com o mundo.
Seleven de Erigor, nobre cavaleiro das Fronteiras Prateadas, este sacerdote guerreiro de Tyr foi enviado para o Oriente Distante após uma epifania com o próprio Deus da Justiça e um encontro com um grandioso dragão. O centro do grupo, praticamente o líder da tropa, Seleven viajava em busca da cura para a doença que se abatera sobre sua irmã.
Lua Rubra, um elfo selvagem arredio e desconfiado. Sofrera uma tragédia entre os seus, e agora só confia no seu companheiro de viagens, o urso Balooh.
Agora, tendo como base a história que tinha idealizado, e tendo os históricos dos personagens (ou pelo menos os questionários respondidos), pude partir para a elaboração da trama. Passei então a usar o conhecimento que tenho do Cenário, assim como minha vasta biblioteca Faeruniana.
O background do Mardûk me fez ligar algumas referências de Rashemen que existem no Unapprocheable East, e atei parte da história dos anões dali com a história do Mardûk (isto ainda não apareceu no jogo). Marduk era o líder tático do grupo, pois sua experiência e habilidade ímpar sempre terminava por salvar a vida dos colegas.
O fato de Khalmmyr ter montado um aasimar disparou uma fagulha na minha mente, sobre algo que eu já havia escrito sobre os últimos dias da guerra entre Narfell e Raumathar. Isto, aliado ao material que saiu no A Grand History of the Realms, pode ajudar a bolar uma história de fundo do aasimar sendo o último descendente direto do antigo imperador de Raumathar - o que me deu um arco maior de oportunidade de usar a aventura Throne of Deceit / Runes of Chaos, afinal nela o grupo receberia a espada Hadryliss, antiga arma de Raumathar e a espada do rei de Rashemen. Alterei a história, e fiz com que ela chegasse nas mãos do filho do imperador por meio da história em si, e não como recompensa após a aventura.
Zepp me abriu um leque de possibilidades. Há muita história legal sobre os gnomos em Thesk, assim como no Races of Faerûn. E o irmão do Zepp, o sacerdote Huli Ruling, era um “personagem de apoio” do grupo, um ponto focal na história. O background do gnomo e sua mãe desaparecida pôde ser usado como link para a última parte da campanha, o final das Runas do Caos. Sem falar nos segredos que envolvem o desaparecimento (providencial) do Huli Ruling no meio da campanha.
Meganne pôde ser usada como ponto focal da história a partir do momento em que li (acho que no A Grand History of the Realms) de que um enclave de Netheril tinha caído em Narfell, quando Karsus matou Mystril. Isso, mais a informação dada pelo Grenwood no fórum Candlekeep de que alguns arcanistas de Netheril haviam sobrevivido enviando suas mentes para dentro de itens mágicos, me fez criar Taragardh, o cetro que Meganne encontrara em uma masmorra em Narfell, e que a ajudava, guiava e até conversava com ela de tempos em tempos… o que causara a grande desconfiança de vários membros do grupo. Se pelo menos eles soubessem quem era o cetro…
Eronides me serviu (e serve) como ponto de apoio para as aventuras em Aglarond. Mudei alguns outros detalhes do meu Faerûn, o que promete me dar possibilidades interessantes com o mago em um futuro não muito distante. Sua família vive uma encruzilhada, pois alguns são simpatizantes dos Harpistas… Eronides é um dos Simbulmyn, um dos “homens de Simbul” - agentes e espiões, enquanto o patriarca é um dos fundadores dos Guardiões da Trama (Champions of Valor). Isto, por si só me cria várias possibilidades futuras interessantes. Mais o fato de que Eronides busca encontrar sua irmã perdida nos planos exteriores, e tenho muito pano pra manga do mago do grupo.
Seleven está ligado (mas não sabe) à ressurgência da Capela da Justiça Ressonante (não vou falar em que livro está), que reposicionei no Oriente, liguei a cura da doença de sua irmã ao maior dragão do Oriente, e durante a morte do grande Gygax, liguei a história do cavaleiro com a história de Oerth e com um dos grandes artefatos de Greyhawk que também é uma homenagem ao fundador do D&D, o anel de Gaxx. Sim, é um grande artefato. Sim, junto com Hadryliss, pode causar um desequilíbro. Mas… sempre é bom lembrar que quando um DM põe um artefato na mesa, os jogadores devem ficar muito mais preocupados do que felizes.
Lua Rubra ainda está sendo elaborado… na verdade, a parte do Lua Rubra se encaixa melhor na segunda parte da campanha, a qual discutirei logo abaixo.
Pronto. História esquematizada, heróis definidos, heróis entrelaçados no cenário e no meu conhecimento do cenário. Daí em diante, bastou que eu elaborasse as aventuras (falei sobre isso no primeiro artigo dessa série), e iniciei a campanha.

Vários pontos mudaram depois que a história começou a andar por si mesma. Amaneira dos jogadores agirem e interagirem, assim como suas decisões, foram alguns dos fatores principais que motivaram umas ou outras mudanças na composição da trama.
A campanha vinha evoluindo conforme eu explicara no primeiro post, até que ela surgiu…. a Quarta Edição.
O advento do novo ruleset do D&D veio como uma faca de dois legumes para minha mesa. Por um lado, o sistema de regras ficara mais simples e elegante, poupando tempo do DM, e dando mais opções interessantes para todas as classes.
Por outro, as mudanças no cenário me causaram medo e estranheza (e algumas, até repulsa).
Decidi deixar a 4E de lado, e dar sequência na campanha até o término do Runes of Chaos (que eu já havia adaptado da 2 pra 3.5). Após essa fase, o ‘aftermath’ da campanha seria resolvido pela segunda geração, os descendentes e conhecidos dos heróis, 24 anos após o clímax da primeira fase da campanha. Esta nova parte seria narrada com as regras da 4E, mas sem a Spellplague e as mudanças do cenário, e com personagens novos, no 1º nível.
Ou seja, criei uma nova campanha, já montando na 4E, chamada A Forja das Almas, onde os descendentes dos heróis, assim como os novos heróis, iriam finalizar aquilo que seu pais e mentores iniciaram, livrando Faerûn de um grande mal. Essa campanha, pra quem leu o primeiro artigo, seria apenas a continuação da mesma campanha, nos níveis altos/épicos, mas decidi desmembrá-la e dar a chance dos jogadores verem seus heróis se tornarem lendas do cenário.
Dois jogadores decidiram manter seus personagens para a próxima fase: Khalmmyr e Lua Rubra. Um é um aasimar / deva, que vai resnascendo até cumprir seu objetivo (pronto, resolvido como adaptá-lo para o 1º nível na próxima fase). O outro é um elfo, e tenho como dar um ‘downgrade’ nos níveis dele, para que ele possa continuar com seu personagem.
E tudo seguia bem, assim… até que na última sessão de jogo, resolvemos adaptar a campanha finalmente para a 4E, no ponto onde estava mesmo. Todos os personagens convertidos (quase que 100% de satisfação), tesouro adaptado, e estreamos nas novas regras com os personagens finalmente encontrando o rei de Rashemen e entregando a mensagem da Simbul.
Na próxima sessão, haverá guerra.
Bem, esta foi a maneira, seguindo a minha esquematização, que usei para moldar minha campanha. Tem alguns detalhes que não comentei (tenho de manter o segredo, vocês sabem), mas usando o esquema que eu criei, consegui manter minha campanha em andamento, e até sobreviver a uma mudança de edição!
Por hoje vou ficando por aqui, e no próximo artigo deste post, lhes mostrarei como foi minha primeira campanha nos Reinos Esquecidos, sem todo o material que acumulei durante as eras, e sem o esquema que desenvolvi.
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Antes de encerrar, gostaria de dizer que o autor Bruce R Cordell enviou para o Dado Mestre uma cópia de seu novo romance, City of Torment, para análise e review. Já estou na página 145 (de 305). A história e densa e envolvente. Assim que finalizar, vocês verão um review deste novo novel aqui, no Dado Mestre.
Fiquem ligados.
Até a próxima.







