Múmias na China? Hein?

by Elara on 29/09/09 at 2:06 pm

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[Aviso: Este texto contém spoilers. Se você não assistiu ao filme e não gosta de ler detalhes, não leia.]

Quem está acostumado à idéia de múmias tradicionalmente aceita tem que torcer o nariz para ver A Múmia 3: A Tumba do Imperador Dragão, que considera os soldados de terracota como seres mumificados. Abstraindo (bastante), dá pra argumentar que o princípio seria o mesmo, de seres que voltariam do além. Só que os soldados de terracota como conhecemos não são pessoas mumificadas, são estátuas de barro cozido…

Considerando como mais válido o fato de que a indústria cinematográfica queria apenas um pretexto para produzir uma seqüência dos dois primeiros filmes (e na última fala deixar a idéia de uma quarta produção por vir), é mais fácil digerir o mal-estar inicial.

No filme, a narrativa histórica do Imperador Qin, da primeira dinastia chinesa, é romanceada e embelezada por elementos de magia, para dar mais força ao fraco argumento do filme. Talvez se tivesse havido um foco mais histórico, o enredo se firmasse melhor, mas nem o nome do imperador é citado, incorrendo no apelido de Imperador Dragão, o que deixa as coisas muito mais com cara de Indiana Jones.

Bom, pelo menos a figura do imperador sacana e escravizador foi muito bem representada nas primeiras cenas. Explico melhor: o Imperador Dragão, conforme é chamado no filme, conseguiu unificar muitos reinos na China, tornando-os, assim, um só Império, ao qual esteve à frente por muitos anos. Ele uniu todas as muralhas que separavam os antigos reinos para formar uma só, visando a proteção contras os bárbaros e mongóis. Disto surgiu a Muralha da China. Até aí, nada de diferente da história original.

Na narrativa cinematográfica, entretanto, o imperador é, além de sacana, um hábil manipulador dos quatro elementos e, como todo vilão ganancioso, ele anseia pela vida eterna para perpetuar seu exército. Não dá para considera-lo um druida, mas pensaria em algo como um feiticeiro com algumas magias bem poderosas na manga.

O fato é que o imperador decide se tornar imortal e, como ele não conheceu nenhum protagonista de Crepúsculo ou algo do tipo, decide enviar seu mais leal general de guerra em busca da maga que poderia torna-lo eternamente imperador. Aliás, um parênteses para Zi Juan, que é uma das personagens-chave da trama. O general se apaixona pela maga e, juntos eles vivem um breve romance.

No dia de ser transformado em imortal, o imperador concede um desejo à maga, que pede para poder passar o resto da vida com o general. Em seguida, ela começa a proferir a magia em sânscrito. Após concluir a leitura do tomo, o imperador mostra à maga, da varanda do palácio em que estão, o seu amado general, que está amarrado em meio ao exército reunido. O imperador ordena que executem o general e a maga é ferozmente golpeada, contradizendo a satisfação do desejo que tinha solicitado. O imperador começa a tornar-se como lava incandescente e, sem entender o que está acontecendo, torna-se uma estátua. A maga, conhecendo o coração e as inclinações do sanguinário imperador, não o havia transformado em imortal, mas enfeitiçado seu corpo para tornar-se pedra, assim como todo o exército que estava no pátio exterior do palácio. Ela, sangrando, foge do amaldiçoado local.

A cena seguinte, de escavação, mostra um segundo momento do filme, em que a tumba do imperador é encontrada pelo filho do explorador O’Connel, um rapaz ambicioso por sair da sombra do pai para ser alguém conhecido por seus próprios feitos. A entrada no local revela perigos dignos de uma masmorra de D&D, em que somente um bom ladino poderia sobreviver. É o que o filho de O’Connel encontra: uma ladina que, aparentemente, estava guardando a tumba da visita de intrusos.tumba_do_imperador

Passamos ao terceiro momento do filme. Rick O’Connel, o pai, está tentando se habituar à sua nova vida prosaica de explorador aposentado. A esposa, Evelyn, em meio às pressões editoriais, tenta escrever um novo romance, mas sua vida não é mais a mesma aventura de antigamente.

Há ainda dois militares que querem trazer o imperador dragão de volta à vida e é nesse ponto que as peças começam a se conectar.

O casal de ex-aventureiros é convidado pelo Governo de Londres a entregar a um museu na China a jóia chamada Olho de Shangri-la, convite inicialmente recusado, mas que após insistentes recomendações, é aceito.

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A partir da chegada em Shangri-la começa a verdadeira aventura proposta pelo filme. Evelyn e Rick, encontram casualmente com seu filho no bar do tio Jonathan, que continua com seu habitual senso de humor da seqüência de filmes. Ali, o casal descobre que o filho Alex havia largado a faculdade e estava se dedicando a escavações, o que gera um pequeno desentendimento, revelando inclusive antigos personagens dos filmes anteriores e que, no decorrer da história, se tornam muito úteis.

No museu, para entregar o Olho de Shangri-la, o casal descobre as reais intenções do financiador da escavação de Alex nas imediações da muralha da China. Os dois militares obcecados pela lenda do imperador aparecem, libertando o imperador dragão de sua forma “mumificada”.

Nesse momento, uma seqüência de cenas de ação, com bastante humor e efeitos especiais muito bem elaborados envolvem o filme. Obviamente que os spoilers existem, mas se eu fosse contar tudo, não teria graça assistir, não é mesmo? De todo modo, o destaque nas cenas seguintes é, sem dúvidas, a descoberta da idade da sacerdotisa e sua filha, a forma dragão do imperador, o ritual necromante da maga para a ressurreição dos soldados enterrados sob a muralha e a batalha épica que garante a manutenção do estilo de filme caracterizado pela série de histórias de A Múmia.

Vale a pena conferir.

Mais sobre a autora doa artigo.

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Elara Leite

Elara Leite vive em João Pessoa, Paraíba e  é jornalistapoetisa e claro, jogadora de RPG. Possui outros materiais publicado no E-zine Távola RPG. Caso queira seguí-la no Tiwtter, clique aqui.