Caçadores de dragões – ou criaturas do tipo
by Elara on 29/10/09 at 10:16 am
[Aviso: Este texto contém spoilers. Se você não viu o filme e não gosta de saber detalhes, não leia.]
Caçadores de Dragões é, sem dúvidas, um filme de animação com proposta diferenciada. Baseado em uma série francesa, o cenário criado encanta o telespectador pelas suas cores e disposições de elementos e a história envolvente faz pensar em valores como amizade e honra.

No enredo, um reino encantado está se desfazendo pelo cumprimento de profecias relativas ao aparecimento de um poderoso dragão adormecido, o que ocorre a cada vinte anos, com a exibição de diversos sinais.
De um lado, uma curiosa mocinha, neta de um rei outrora muito poderoso, conhecedora de contos e lendas de bravos heróis acredita que, mesmo com a decadência daquele mundo, poderia haver esperança para o reino.

De outro lado, dois aventureiros, um bárbaro oriental e um ladino, além de um estranho cachorro que urina fogo, tentam ganhar a vida matando criaturas – que eles chamam de dragões.
Nota para o cenário, muito bem produzido, de ambientes suspensos, um primor de criação gráfica.
A história começa a ganhar mais vida quando, pela iminência do fim, o rei deseja enviar sua neta para o convento. A mocinha foge para a floresta, encontrando os aventureiros, que a salvam de dois “dragões” elétricos. Vale salientar que o termo dragão é aplicado a todas as criaturas do filme, então, é preciso torcer um pouco o nariz e relevar esse detalhe para assistir à animação.
Daí que a moça os convida para salvar o reino, já que todos os cavaleiros do rei haviam sumido, perdidos no caos que aquele mundo estava se tornando. O rei, que é cego, obviamente não vê que os dois “cavaleiros” apresentados pela neta na verdade são plebeus aventureiros. Ele os envia para o fim do mundo, onde poderiam encontrar o dragão antes que todos os sinais fossem revelados e fosse despertado o animal.
Os aventureiros, o cachorro e a menina, que os persuade a leva-la com chantagens bem-humoradas, seguem viagem, sendo interceptados por diversos tipos de criaturas e visualizando os sinais de destruição daquele mundo. O bárbaro é constantemente dissuadido a fugir pelo seu colega ladino, deixando a menina e levando com eles o ouro que receberam como adiantamento e esquecendo essa missão apaixonada de conto-de-fadas. O ladino também critica a mocinha por sua crença em cavaleiros decentes e honrados e em contos e lendas. Se houvesse uma ficha de RPG para os dois aventureiros, certamente o bárbaro seria leal e bom e o ladino caótico neutro.
Chegando próximo ao local, os dois amigos brigam e se separam momentaneamente, em um dos picos mais reflexivos do filme. Ali, evidencia-se a escolha de uma excelente trilha sonora, adequada aos momentos diferenciados da animação.

Um dos outros destaques certamente é para as seqüências de luta e as armas exóticas utilizadas pelo bárbaro.
Próximo ao fim, há ainda, de uma forma dramática, porém bem-humorada, o questionamento sobre a crença nas histórias romanceadas dos contos-de-fadas. O encontro com o dragão, uma criatura esquelética e assustadora, é o ponto alto do filme, juntamente com a luta contra o animal.
Caçadores de Dragões guarda ainda surpresas em seu final, sendo uma boa pedida inclusive para narradores de D&D que desejam inspiração para cenários diferenciados.







